segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Resumo da Encíclica do Papa sobre a Esperança




Papa lança texto sobre esperança
Em encíclica, Bento XVI critica materialismo e invoca exemplos de fé de ex-escrava sudanesa e cardeal vietnamita
José Maria Mayrink
O papa Bento XVI publicou ontem a encíclica Spe Salvi ( Salvos pela Esperança), a segunda em dois anos e meio de pontificado, na qual faz uma profunda reflexão sobre a esperança cristã, a partir de textos da Bíblia e da mensagem de Jesus Cristo, na perspectiva da vida eterna. A primeira encíclica, Deus Caritas Est (Deus é Amor), foi divulgada em janeiro do ano passado. “A redenção nos é oferecida no sentido que nos foi dada a esperança, uma esperança fidedigna, graças à qual podemos enfrentar o nosso tempo presente”, afirma o papa na introdução do documento, acrescentando que “o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceito, se levar a uma meta” que, como diz adiante, é “chegar a conhecer Deus, o verdadeiro Deus”. A encíclica é uma carta circular dirigida aos bispos, presbíteros, diáconos, religiosos e a todos os fiéis leigos, ou seja, a toda a Igreja. Embora não seja um documento ex cathedra - quando o papa é infalível - é parte do magistério da Igreja e, nessa condição, deve ser recebido com respeito pelos católicos. “Em Spe Salvi, o papa insiste que a esperança cristã não está situada num além imaginário, mas já se faz presente em nós quando o amor de Deus nos alcança e nos torna capazes de amar, abrindo-nos ao outro”, observa nota da presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgada em Brasília.O texto chama a atenção para o fato de a encíclica destacar que o objeto principal da esperança cristã é a vida eterna.Para Bento XVI, a eternidade não é “uma sucessão contínua de dias do calendário, mas algo parecido com um instante repleto de satisfação... o instante de mergulhar no oceano do amor divino no qual o tempo - o antes e o depois - já não existe”.Os cardeais que apresentaram a Spe Salvi aos jornalistas no Vaticano - o dominicano Georges Cottier e o jesuíta Albert Vanhoye, ambos teólogos - destacaram a análise que Bento XVI faz da esperança em confronto com a mentalidade moderna. O papa evoca Santa Josefina Bakhita, uma ex-escrava africana do século 19, como exemplo de esperança no amor de Deus. Lembra também o cardeal vietnamita Nguyen Van Thuan que, após 13 anos na prisão, 9 dos quais numa solitária, escreveu Orações na Esperança - “um livrinho precioso”.De Santo Agostinho a Lutero, Kant, Bacon e Engels, santos e filósofos que trataram do tema, desfilam na encíclica como testemunhas da preocupação do homem com a esperança. No campo político, Marx errou, na interpretação de Bento XVI, pelo seu materialismo, após ter descrito “com grande capacidade analítica, as vias para a revolução”.Após advertir que “não é a ciência que redime o homem”, que “é redimido pelo amor”, o papa afirma que “quem não conhece Deus, mesmo podendo ter muitas esperanças, no fundo está sem esperança”. Bento XVI aponta a oração como “primeiro e essencial lugar” da esperança. “Quando já ninguém me escuta, Deus ainda me ouve.” No final, apela para a solidariedade, “pois uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem ... é uma sociedade cruel e desumana”.

Fonte.www.estado.com.br


"Não é a ciência que redime o homem. O homem é redimido pelo amor".

domingo, 7 de setembro de 2008

Entrevista com o Padre Pio

Em 1974, foi publicada uma obra em italiano, intitulada “Assim falou Padre Pio” (S. Giovanni Rotondo, Foggia, Itália) com o Imprimatur de Dom Fanton, Bispo Auxiliar de Vicenza.
No presente trabalho, extraímos alguns trechos em que Padre Pio falava da Santa Missa:

Padre, o Sr. ama o Sacrifício da Missa?
Sim, porque Ela regenera o mundo.
Que glória dá a Deus a Missa?
Uma glória infinita.
Que devemos fazer durante a Missa?
Compadecer-nos e amar.
Padre, como devemos assistir à Santa Missa?
Como assistiram a Santíssima Virgem e as piedosas mulheres. Como assistiu S. João Evangelista ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrifício cruento da Cruz.
Padre, que benefícios recebemos ao assistir à Santa Missa?
Não se podem contar. Vê-lo-ás no céu.
Quando assistires à Santa Missa, renova a tua fé e medita na Vítima que se imola por ti à Divina Justiça. Não te afastes do altar sem derramar lágrimas de dor e de amor a Jesus, Crucificado por tua salvação.
A Virgem Dolorosa te acompanhará e será tua doce inspiração.
Padre, que é sua Missa?
Uma união sagrada com a Paixão de Jesus. Minha responsabilidade é única no mundo. (Dizia chorando)
Que devo descobrir na sua Santa Missa?
Todo o Calvário.
Padre, diga-me tudo o que o senhor sofre durante a Santa Missa.
Sofro tudo o que Jesus sofreu na sua Paixão, embora sem proporção, só enquanto pode fazê-lo uma criatura humana. E isto, apesar de cada uma de minhas faltas e só por sua bondade.
Padre, durante o Sacrifício divino, o senhor carrega os nossos pecados?
Não posso deixar de fazê-lo, já que é uma parte do Santo Sacrifício.
O senhor considera a si mesmo como um pecador?
Não o sei, porém temo que assim seja.
Eu já vi o senhor tremer ao subir aos degraus do altar. Por quê?
Pelo que tens de sofrer?
Não pelo que tenho de sofrer, mas pelo que tenho de oferecer.
Em que momento da Missa o senhor sofre mais?
Na Consagração e na Comunhão.
Padre, esta manhã na Missa, ao ler a história de Esaú, que vendeu os direitos de sua primogenitura, seus olhos se encheram de lágrimas.
Parece-te pouco desprezar o dom de Deus?
Por que, ao ler o Evangelho, o senhor chorou quando leu estas palavras: “Quem come minha carne e bebe o meu sangue…”.Chora comigo de ternura!
Padre, por que o senhor chora quase sempre que lê o Evangelho na Missa?
A nós nos parece que não tem importância que um Deus fale às suas criaturas e elas O contradigam e continuamente O ofendam com sua ingratidão e incredulidade.
Sua Missa, Padre, é um sacrifício cruento?Hereje!
Perdão, Padre, quis dizer que na Missa o Sacrifício de Jesus não é cruento, mas a sua participação em toda a Paixão o é. Engano-me?
Não, nisso não te enganas. Creio que tens toda a razão.
Quem lhe limpa o sangue durante a Missa?
Ninguém.
Padre, por que o senhor chora no Ofertório?Queres saber o segredo? Pois bem: porque é o momento em que a alma se separa das coisas profanas.
Durante sua Missa, Padre, o povo faz um pouco de barulho…Se estivesses no Calvário, não escutarias gritos, blasfêmias, ruídos, e ameaças?
Havia um alvoroço enorme.
Não o distraem os ruídos?
Em nada.
Padre, por que sofre tanto na Consagração?
Não sejas maldoso… (Não quero que me perguntes isso…).
Padre, diga-me: por que sofre tanto na Consagração?Porque nesse momento se produz realmente uma nova e admirável destruição e criação.
Padre, por que chora no altar e que significam as palavras que pronuncia na Elevação?
Pergunto por curiosidade, mas também porque quero repeti-las com o senhor.
Os segredos do Rei Supremo não podem revelar-se nem profaná-los. Pergunta-mês por que choro, mas eu não queria derramar essas pobres lagrimazinhas, mas torrentes de lágrimas.
Não meditas neste grandioso mistério?
Padre, o senhor sofre, durante a Missa, a amargura do fel?
Sim, muito freqüentemente…
Padre, como pode estar-se de pé no Altar?
Como estava Jesus na Cruz.
No altar, o senhor está cravado na Cruz, como Jesus no Calvário?
E ainda me perguntas?
Como se acha o senhor?
Como Jesus no Calvário.
Padre, os carrascos deitaram a Cruz no chão para pregarem os cravos em Jesus?
Evidentemente.
Ao senhor também lhos pregam?
E de que maneira!
Também deitam a Cruz para o senhor?
Sim, mas não devemos ter medo.
Padre, durante a Missa, o senhor pronuncia as Sete Palavras que Jesus disse na Cruz?
Sim, indignamente, mas também as pronuncio.
E a quem diz: “Mulher, eis aí teu filho”?
Digo para Ela: “Eis aqui os filhos de Teu Filho”.
O senhor sofre a sede e o abandono de Jesus?
Sim.Em que momento?
Depois da Consagração.
Até que momento?
Costuma ser até a Comunhão.
O senhor diz que tem vergonha de dizer: “Procurei quem me consolasse e não achei”.
Por quê?
Porque nossos sofrimentos de verdadeiros culpados, não são nada em comparação com os de Jesus.
Diante de quem sente vergonha?
Diante de Deus e da minha consciência.
Os Anjos do Senhor o reconfortam no Altar em que o senhor se imola?
Pois… não o sinto.
Se não lhe vem o consolo até a alma durante o Santo Sacrifício, e o senhor sofre como Jesus, o abandono total, nossa presença não serve para nada.
A utilidade é para vós. Por acaso foi inútil à presença da Virgem Dolorosa, de São João e das piedosa mulheres aos pés de Jesus agonizante?
Que é a Sagrada Comunhão?
É toda uma misericórdia interior e exterior, todo um abraço. Pede a Jesus que se deixe sentir sensivelmente.
Quando Jesus vem, visita somente à alma?
O ser inteiro.
Que faz Jesus na Comunhão?
Deleita-se na sua criatura.
Quando se une o Jesus na Santa Comunhão, que quer peçamos a Deus pelo senhor?
Que eu seja outro Jesus, todo Jesus e sempre Jesus.
O senhor sofre também na Comunhão?
É o ponto culminante.Depois da Comunhão, continuam seus sofrimentos?Sim, mas não sofrimentos de amor.
A quem se dirigiu o último olhar de Jesus agonizante?
À sua Mãe.
E o senhor, para quem olha?Para meus irmãos de exílio.
O senhor morre na Santa Missa?
Misticamente, na Sagrada Comunhão.
É por excesso de amor ou de dor?
Por ambas as coisas, porém mais por amor.
Se o senhor morre na Comunhão, continua a ficar no Altar?
Por quê?
Jesus morto permanecia pendente da Cruz no Calvário.
Padre, o senhor disse que a vítima morre na Comunhão.
Colocam o senhor nos braços de Nossa Senhora?
Nos de São Francisco.
Padre, Jesus desprega os braços da Cruz para descansar no Senhor?
Sou eu quem descansa nEle!
Quanto ama a Jesus?
Meu desejo é infinito, mas a verdade é que, infelizmente, tenho que dizer nada e me causa pena.
Padre, por que o senhor chora ao pronunciar a última palavra do Evangelho de São João: “E vimos sua glória como do Unigênito Pai, cheio de graça e de verdade”?
Parece-te pouco?
Se os Apóstolos, com seus olhos de carne, viram essa glória, como será a que veremos no Filho de Deus, em Jesus, quando se manifestar no céu?
Que união teremos então com Jesus?
A Eucaristia nos dá uma idéia.
A Santíssima Virgem assiste à sua Missa?
Julgas que a Mamãe não se interessa por seu Filho?
E os Anjos?
Em multidões.
Padre, quem está mais perto do Altar?
Todo o Paraíso.
O senhor gostaria de celebrar mais de uma Missa por dia?
Se eu pudesse não queria descer do Altar.
Disseram-me que o senhor traz consigo o seu próprio Altar…
Sim, porque se realizam estas palavras do Apóstolo: “Eu trago no meu corpo os estigmas de Jesus.” “Estou cravado com Cristo na Cruz.” “Castigo o meu corpo, e o reduzo à escravidão…”
Nesse caso, não me engano quando digo que estou vendo Jesus Crucificado!(Nenhuma resposta)
Padre, o senhor se lembra de mim na Santa Missa?
Durante toda a Missa, desde o princípio até o fim, lembro-me de ti.
A Missa do Padre Pio, em seus primeiros anos, durava mais de duas horas.
Sempre foi um êxtase de amor e de dor. Seu rosto estava inteiramente concentrado em Deus e cheio de lágrimas. Um dia, ao confessar-me, perguntei-lhe sobre este grande mistério:
Padre quero fazer-lhe uma pergunta.Dize-me filho.
Padre queria perguntar-lhe que é a Missa?
Por que me perguntas isto?
Para ouvi-la melhor, Padre.
Filho, posso dizer-te que é Minha Missa.
Pois, é isso que quero saber Padre.
Meu filho, estamos na Cruz e a Missa é uma contínua agonia.
Autor: São Pio de Pieltrecina

Fraes de São Pio

Palavras do Padre Pio:
Jesus me consolou. Em 18 de abril de 1912, depois de uma luta terrível contra o inferno, a consolação do Senhor me veio depois da Missa: “Ao final da missa, conversei com Jesus para a ação de graças. Oh quanto foi suave o colóquio mantido com o paraíso nessa manhã!… O coração de Jesus e o meu se fundiram. Não eram mais dois que batiam, mas um só. Meu coração tinha desaparecido como uma gota de água se dissolve no mar… - Padre Pio chorava de alegria.- Quando o paraíso invade um coração, esse coração aflito, exilado, fraco e mortal não pode suporta-lo sem chorar…”. Ao Pe Agostinho, 18/04/1912, em “Padre Pio, Transparent de Dieu”, J.Derobert.


“Minha missa é uma mistura sagrada com a Paixão de Jesus. Minha responsabilidade é única no mundo”, disse ele chorando.


“Na Paixão de Jesus, encontrarão também a minha”.


“Não desejo o sofrimento por ele mesmo, não; mas pelos frutos que me dá. Ele dá glória a Deus e salva meus irmãos, que mais posso desejar?”. “A que momento do Divino Sacrifício mais sofreis?”. - Da consagração à comunhão.” “Durante o ofertório?. - É neste momento que a alma é separada das coisas profanas.” “A consagração?”. - É verdadeiramente aí que advém uma nova admirável destruição e criação.” “A Comunhão? Na comunhão, sofreis a morte? - Misticamente, sim. - Por veemência de amor ou de dor? - Por uma e outra: mas mais por amor.” “Sofreis toda e sempre a Paixão de Jesus?”. - Sim, por Sua bondade e Sua condescendência, tanto quanto é possível a uma criatura humana. - E como podeis trabalhar com tanta dor? - Encontro o meu repouso sobre a cruz.” “Como nós devemos ouvir a Santa Missa?”. - Como a assistiam a Santa Virgem Maria e as Santas mulheres. Como São João assistiu ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrificio sangrento da cruz “”. Pe. Tarcísio, Congresso de Udine, 1972.
“A beneficência, venha de onde vier, é sempre filha da mesma mãe: a providência.” (Padre Pio de Pietrelcina)
“O fim desta vida será o início da eternidade.” (Padre Pio de Pietrelcina)
“Deus fala a quem tem um coração humilde diante dEle, e o enriquece com Seus dons.” (Padre Pio de Pietrelcina)
“Sofro muito porque não posso conduzir todos os meus irmãos a Deus!” (Padre Pio de Pietrelcina)
“Jesus nos diz que no Céu há mais alegria por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove almas justas que perseveram. Essa afirmação do Redentor é verdadeiramente confortadora para tantas almas desafortunadas que, tendo pecado e se arrependido, querem retornar a Deus.” (Padre Pio de Pietrelcina)
“Muitas vezes o Senhor não nos escuta para não nos tornar mais ingratos.” (Padre Pio de Pietrelcina)
“Quando cair, humilhe-se, proponha-se de novo a submeter-se à vontade de Deus e depois levante-se e siga adiante.” (Padre Pio de Pietrelcina)
“A profissão de fé mais bela é a que, como um raio, dissipa as trevas da sua alma.” (Padre Pio de Pietrelcina)
“Se Deus permite que você vacile em alguma fraqueza, não é porque te abandonou; ao contrário, Ele está lhe fortalecendo na humildade e na vigilância.” (Padre Pio de Pietrelcina)
“Virgem Maria, purifique minha mente para elevar-me a Deus e contemplá-Lo, adorá-Lo e servi-Lo em espírito e verdade.” (Padre Pio de Pietrelcina)
“Nossa Senhora, minha mãe, coberto de misérias, admiro em vós a vossa imaculada conceição e ardentemente desejo que, por esse mistério, purifique meu coração para que eu possa melhor amar a Deus.” (Padre Pio de Pietrelcina)
“Tema o julgamento de Deus, não o dos homens.” (Padre Pio de Pietrelcina)
“Deus nos ama; prova disso é que tolera nossas ofensas com indulgência.” (Padre Pio de Pietrelcina)
“Se Deus permite que você sofra durante toda a sua vida, fique calmo e seja paciente. Teu amor a Deus será então totalmente gratuito - e isso é próprio dos santos!” (Padre Pio de Pietrelcina)
“Do que você tem medo? Se Deus ficou na escuridão do Monte Sinai, com relâmpagos e trovões, não deveríamos ficar felizes em saber que estamos perto dEle?” (Padre Pio de Pietrelcina)
“Fique em silêncio quando puder, pois quando estamos sozinhos Deus fala livremente com nossa alma, e a alma fica mais disposta a ouvir a voz de Deus.” (Padre Pio de Pietrelcina)
“Ainda que o mundo vire às avessas, que tudo fique em trevas, fumaça ou tumulto, Deus estará sempre conosco.” (Padre Pio de Pietrelcina)


A Exaltação da Santa Cruz

Segundo piedosa tradição Santa Helena, mãe do imperador Constantino encontrou a Cruz de Cristo em Jerusalém. Com o termo exaltação, a festa passou também para o Ocidente, e a partir do século VII comemora-se a recuperação da preciosa relíquia por parte do imperador Heráclio em 628; pois a Cruz de Cristo foi roubada 14 anos antes pelo rei persa Cosroe Parviz, durante a conquista da cidade Santa de Jerusalém.Perderam-se definitivamente todas as pistas em 1187, quando foi tirada do bispo de Belém.A glorificação de Cristo passa através do suplício da Cruz. Cristo submeteu-se à humilde condição de escravo e o suplício infame transformou-se em glória perene. Assim a Cruz torna-se o símbolo e o compêndio da religião cristã.A evangelização, efetuada pelos apóstolos é a simples apresentação de Cristo Crucificado. O cristão, aceitando esta verdade, é crucificado com Cristo, isto é, deve carregar diariamente a sua cruz, suportando injúrias e sofrimentos, como Cristo. Tertuliano († 200) atesta:“Quando nos pomos a caminhar, quando saímos e entramos, quando nos vestimos, quando nos lavamos, quando iniciamos as refeições, quando nos vamos deitar, quando nos sentamos, nessa ocasiões e em todas as nossas demais atividades, persignamo-nos a testa com o sinal da Cruz” (De corona militis 3).S. Hipólito de Roma (†235), descrevendo as práticas dos cristãos do século III:“Marcai com respeito as vossas cabeças com o sinal da Cruz. Este sinal da Paixão opõe-se ao diabo e protege contra o diabo, se é feito com fé, não por ostentação, mas em virtude da convicção de que é um escudo protetor. É um sinal como outrora foi o Cordeiro verdadeiro; ao fazer o sinal da Cruz na fonte e sobre os olhos, rechaçamos aquele que nos espreita para nos condenar” (Tradição dos Apóstolos 42).As Atas dos Mártires, por sua vez, dão a saber que os mártires se persignavam com o sinal da Crus antes de enfrentar a luta final.Oração de São Bento"A Cruz Sagrada seja a minha luz, não seja o dragão o meu guia. Retira-te, satanás! Nunca me aconselhes coisas vãs. É mal o que tu me ofereces. Bebe tu mesmo os teus venenos!"Oração de São Francisco"Senhor Jesus Cristo, nós vos louvamos e bendizemos porque pela vossa santa Cruz remistes o mundo” Porque Jesus morreu na Cruz?Santo Antônio, Doutor do Evangelho: “Porque Adão no paraíso não quis servir ao Senhor (cf. Jr 2,20), por isso o Senhor assumiu a forma de servo (cf. Fl 2,7) para servir ao servo, a fim de que o servo já não se envergonhasse de servir ao Senhor.”"Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras" (1Cor 15,3). Por sua obediência de amor ao Pai, "até a morte de cruz" (Fl 2,8), Jesus realizou sua missão expiadora do Servo Sofredor que "justificará a muitos e levar sobre si as suas transgressões". “Carregou os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro para que, mortos aos nossos pecados, vivamos para a justiça. Por fim, por suas chagas fomos curados” (Is 53,5).“É ele que nos perdoou todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam.Aboliu-o definitivamente, ao encravá-lo na cruz. Espoliou os principados e potestades, e os expôs ao ridículo, triunfando deles pela cruz.” (Col 2, 13-15)“Quem quiser ser meu discípulo tome a sua cruz, a cada dia, e siga-me” (Lc 9, 13)“Se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto” (Jo 12,24b). Cada um tem a sua cruz.§599 – “A morte violenta de Jesus não foi o resultado do acaso um conjunto infeliz de circunstâncias. Ela faz parte do mistério do projeto de Deus, como explica São Pedro aos judeus de Jerusalém já em seu primeiro discurso de Pentecostes: "Ele foi entregue segundo o desígnio determinado e a presciência de Deus" (At 2,23). Esta linguagem bíblica não significa que os que "entregaram Jesus" tenham sido apenas executores passivos de um roteiro escrito de antemão por Deus. §600 - Para Deus, todos os momentos do tempo estão presentes em sua atualidade. Ele estabelece, portanto, seu projeto eterno de "predestinação" incluindo nele a resposta livre de cada homem à sua graça: Deus permitiu os atos nascidos de sua cegueira [Pilatos, Herodes, doutores, etc.], a fim de realizar seu projeto de salvação. "Aquele que não conhecera o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que, por ele, nos tornemos justiça de Deus" (2Cor 5,21). "Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele quem nos amou e enviou-nos seu Filho como vítima de expiação por nossos pecados" (1Jo 4,10). "Deus demonstra seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando éramos ainda pecadores" (Rm 5,8). Os sofrimentos de cada membro da Igreja contribuem para a redenção dos homens, e garantem a participação de cada um na glória do Ressuscitado.“Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja”. (Col 1, 24)“Eis uma verdade absolutamente certa: Se morrermos com ele, com ele viveremos.” (2Tm 2, 11)Gl 6, 14: “Quanto a mim, não aconteça gloriar-me senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo”.O sinal da Cruz é o sinal dos cristão ou o sinal do Deus vivo; “Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que tenhamos assinalado os servos de nosso Deus em suas frontes”. (Ap 7, 3).Nossa Senhora das Dores – 15 de setembroNossa Senhora das Dores recebe no colo o filho morto apenas tirado da cruz. Maria está de pé (stabat) aos pés da Cruz. É o momento culminante da Redenção. Cristo sofreu a Paixão; Maria sofreu a com-paixão. “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa”. (Jo 19,25-27) É junto à Cruz que a Mãe de Jesus crucificado torna-se a Mãe do Corpo místico de Cristo, a Igreja, nascido da Cruz. Nós somos nascidos enquanto cristãos, do mútuo amor sacrifical e sofredor de Jesus e Maria.“Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma”. (Lc 2, 34-35)“Faça-se em mim segundo a tua palavra.” Como mãe, Maria assume implicitamente os sofrimentos de Cristo, em cada momento de sua vida. A Pietá de Michelangelo exprime toda a dor da Mãe. As sete dores de MariaA devoção, que precede esta celebração litúrgica, fixou simbolicamente as sete dores de Maria narrados pelo Evangelho: 1 - a profecia do velho Simeão;2 - a fuga para o Egito,3 - a perda de Jesus em Jerusalém;4 - o caminho de Jesus para o Gólgata, 5 - a crucificação e morte de Jesus;6 - a deposição da cruz;7 - a sepultura. O martírio de Maria é o martírio do Redentor.Desde o século XV encontramos as primeiras celebrações litúrgicas sobre a compaixão de Maria aos pés da cruz, colocada no tempo da Paixão ou logo após as festividades pascais. Em 1667 a Ordem dos Servitas, inteiramente dedicada à devoção de Nossa Senhora (os sete santos Fundadores no século XIII tinham instituído a “Companhia de Maria Dolorosa”) obteve a aprovação de celebração litúrgica das sete Dores da Virgem, que durante o pontificado de Pio VII foi acolhida no calendário romano e lembrada no terceiro domingo de setembro.Pio X fixou a data definitiva de 15 de setembro, conservada no novo calendário litúrgico, que mudou o título da festa para uma “memória”: não mais Sete Dores de Maria, mas Virgem Maria Dolorosa.
Fonte: www.cleofas.com.br

sábado, 6 de setembro de 2008

Perseguição contra Cristãos

O interessante é que mesmo após a morte e ressureição de Jesus os cristãos continuam anunciando o Evangelho e sendo perseguindos.Veja o que o diz este site:
www.audacia.org
Há pessoas cujo estilo de vida incomoda outras pessoas. Pode ser porque deixam a sua terra e partem para outras paragens longínquas, ou então porque optam por viver e trabalhar entre os pobres, ou, ainda, porque denunciam os que enriquecem à custa de injustiças e aqueles que fazem a guerra com a finalidade de aumentar o seu poder. Entre estas pessoas desconcertantes ocupam um lugar de relevo os missionários: padres, irmãs, casais e solteiros.

Todos os missionários vibram com o seu modo de vida. Decidiram pôr as suas energias ao serviço do anúncio do Evangelho. E realizam esta tarefa até às últimas consequências.
Todos os anos há missionários que são mortos em terra de missão. Não fogem nos momentos de perigo. Antes, enfrentam aqueles que os matam com serenidade e com sentimentos de perdão. Porque entregam tudo, até a vida, são contados entre os mártires da Igreja.
Nos últimos cem anos, 22 missionários portugueses foram martirizados nas missões: 12 em Angola, 8 em Moçambique, 1 no Brasil e 1 em Espanha.
Em Angola, logo depois do Acordo de Alvor (1975), rebentou a guerra civil, que atingiu as populações indefesas. Os missionários permaneceram com o povo sofredor e experimentaram as consequências do seu altruísmo.
O Irmão Artur Paredes, da Sociedade Missionária Portuguesa, natural deBaraçal (Sabugal), foi com um colega celebrar a Epifania a Conda, vila que foi atacada violentamente pelos rebeldes. Ao tentar socorrer os feridos, ele foi morto pelas balas. Também da Sociedade Missionária, o padre Manuel Armindo de Lima, de Chaviães (Viana do Castelo), caiu numa emboscada armada por pistoleiros ao serviço de forças políticas.
Os espiritanos foram os mais atingidos. O Irmão Afonso Rodrigues, o «irmão faz-tudo», que, aconselhado a sair de Caconda, respondeu: «Não, daqui não saio!». Foi morto pelas balas dos assaltantes. Era natural de Vela (Guarda). O padre José Silva Pereira, nascido em S. Julião do Freixo (Ponte de Lima), foi encontrado morto à facada a escassos metros de casa da missão de Munhino. Na Bela Vista, o padre Adélio Ribeiro Lopes, de Areias de Vilar (Barcelos), foi raptado a 13 de Julho de 1976 e não se sabe ao certo a data da morte. E o padre Abílio Guerra, natural de Válega (Ovar), foi morto à porta da casa que é a sede dos espiri-tanos em Angola num ataque premeditado. Apresentava sinais de tortura e ferimentos profundos na cabeça.
Na diocese de Menongue, foi morta também a leiga missionária Dilar, natural de Vila da Feira.
As irmãs missionárias, que fazem tanto bem na assistência humana e ao serviço das paróquias, não escaparam à fúria assassina. A Irmã Maria das Dores Mendes, nascida em Salgueirais (Guarda), das Doroteias, caiu numa emboscada na estrada de Benguela. Com ela faleceu também a irmã Maria Celeste Abreu Gonçalves, natural de Cela (Chaves), pertencente às Irmãs do Amor de Deus. A Irmã Maria de Lourdes Aguiar, de Santa Maria do Freixo (Porto), das Teresianas, foi vítima de um assalto à missão de Canhe (Huambo). A Irmã Maria de Oliveira, natural de S. Mamede de Vermil (Guimarães), das Franciscanas Missionárias de Maria, foi raptada e morta no dia seguinte. E a espiritana Irmã Maria Joaquim, de Castelões (Tondela), achava que devia socorrer a qualquer custo os feridos da guerra. Morreu vítima dos bombardeamentos no Huambo.
Também em Moçambique a transição do colonialismo para a independência foi marcada por lutas tribais e ideológicas. E, tal como em Angola, a Igreja que está ao serviço do povo, teve as suas vítimas.
A Sociedade Missionária Portuguesa conta três missionários mortos: o padre Alírio Baptista, nascido em Calvão (Vagos), caiu vítima de uma emboscada na estrada de Nampula; o padre António Rocha, de Escariz (Arouca), com apenas 29 anos, morreu numa emboscada na estrada de Pemba. E, em 1991, foi assassinado à machadada o padre Manuel Joaquim Cristóvão, natural de Corgas (Proença-a-Nova).
Entre os jesuítas, conta-se o padre Sílvio Alves Moreira, natural de Rio Meão (Vila da Feira), e o padre João de Deus Gonçalves Kamtedza, de Tete, assassinados na missão de Lifidzi.
Os franciscanos contam dois mártires: o Irmão Francisco do Nascimento, de Valpaços, foi vitimado por uma mina, e o padre Frederico Samuel, de Maxixe, foi abatido por assaltantes perto de Maputo.
As Irmãs do Precioso Sangue contam uma mártir: Irmã Mª Lurdes Gonçalves Granado, de Escalhão (Castelo Rodrigo), vítima de emboscada.
No Brasil, o redentorista padre José Maria Prada, de Parâmio (Bragança), foi assassinado na paróquia de Salgueiro, pelo jovem que lhe pedira que lhe anulasse o casamento religioso.
Em Espanha, durante a Guerra Civil (1936-1939), foi fuzilado o irmão Mário Félix, dos Irmãos das Escolas Católicas, natural de Bouro (Braga). O motivo da sua morte foi: ser membro de um instituto religioso.
Seria longo descrever as circunstâncias da morte de cada um. Mas de uma coisa estamos certos: a fidelidade dos mártires até à morte, de modo particular a violenta, testemunha que Deus que nunca abandona o seu povo e de que não há maior felicidade do que dar a vida pelos outros.

Isto no passado de apenas cem anos, mas veja agora este outro site o que diz:

Cristãos em Laos são ordenados a renunciar sua fé


Saiba mais sobre a Igreja Perseguida no Laos
LAOS (8º) - O chefe do vilarejo de Boukham, na província de Savannakhet, ordenou que famílias de três cristãos presos assinassem documentos nos quais renunciariam à fé. O Grupo de Direitos Humanos pela Liberdade Religiosa em Laos (HRWLRF, sigla em inglês) noticiou que os membros da família se recusaram.Na provincial de Borikhamxay, o governo continua a pressionar 22 famílias cristãs, incluindo 150 pessoas do vilarejo de Toongpankham que se recusaram a desistir do cristianismo. As autoridades do vilarejo destruíram a igreja em janeiro, e, em meados de agosto, molestaram membros da igreja por não se reunirem adequadamente para o culto.No incidente do vilarejo de Boukham, na província de Savannakhet, o chefe convocou as famílias de dois cristãos presos, identificados pelos nomes de Boot e Khamsavan, e ordenou que viajassem à estação policial onde os dois eram mantidos, para assinar o certificado de renúncia de sua fé; os membros da família se recusaram, de acordo com o HRWLRF. A polícia deteve Boot e Khamsavan, juntamente com o seu pastor, Sompong, em 3 de agosto. Os membros da família viajaram à estação policial em 24 de agosto para visitar Boot, Khamsavan e Sompong. Quando chegaram à cela, os oficiais apertaram as algemas e as travessas de madeira, comprimindo as mãos e pés dos prisioneiros, e causando severa dor.“Essas são as conseqüências de não assinar os documentos para renunciar à fé”, um policial disse aos visitantes. “Nós já demos a vocês três oportunidades para fazê-lo, mas vocês se recusaram”.No dia 25 de agosto, depois que os visitantes retornaram à suas casas, o chefe do vilarejo ordenou que Boot e Khamsavan fosse postos em liberdade por meio de fiança, mas disse que Sompong não seria libertado, já que a sua punição por liderar a igreja deveria ser “prisão perpétua”.Tradução: Luis Felipe Carrijo Silva
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Teologia da Libertação ou da Liberação?


Do site do prof.Felipe Aquino veja o que encontrei.Somente o prof. para defender os princípios dogmáticos da Fé Católica fazendo com que possamos tomar consciência de que a TL não passa de padres disfarçados de "simples e pobres".Poucos fazem esta opção e quando fazem não precisa de TL como é o caso dos Pe.Roberto Lettieri,Antonelli Cadeddu,Madre Tereza de Calcutá e tantos outros...
Duas visões da mesma Igreja

No centro de nova polêmica, a Teologia da Libertação é debatida por:
Leonardo Boff e Dom Estêvão Bettencourt
CELINA CÔRTES
Fonte: JORNAL DO BRASIL - Domingo, 18 de Fevereiro de 1996 - Caderno B
A doutrina conhecida como Teologia da Libertação (TL) sofreu um duro golpe no último dia 5, quando, em sua viagem por países da América Central, o Papa João Paulo II declarou que, com a queda do comunismo, “caiu também a Teologia da Libertação”. Preocupada com uma prática que busque soluções para a injustiça social na América Latina, a corrente progressista chegou a ser vista como uma ameaça de desmembramento dentro da Igreja. Por isso, seu maior defensor no Brasil, o teólogo franciscano catarinense Leonardo Boff, 57 anos, acabou condenado a passar 11 meses em silêncio, em 1985, sob a acusação de duvidar da origem divina da hierarquia católica em seu livro Igreja, carisma e poder (1981). Segundo Boff, que abandonou a batina, o processo que culminou com a punição teve a intensa participação do monge beneditino carioca Estêvão Bettencourt, 76 anos, identificado com o setor mais conservador da Igreja. Agora, com a recente manifestação do papa sobre a Teologia da Libertação, Boff e Dom Estêvão aceitaram com grande entusiasmo a proposta de que fosse realizado um debate sobre o tema, via fax. Na troca de perguntas e respostas, publicadas abaixo e na página 5, Dom Estêvão acusa a TL de ter provocado uma debandada de fiéis. Boff contra-ataca criticando o que chama de Igreja hierárquica. No debate, cada qual defende, a seu modo, a opção da Igreja pelos pobres.
Leonardo Boff pergunta a Dom Estêvão
- O papa escreveu numa carta aos bispos, em 1986, que a Teologia da Libertação (TL) “é não só oportuna mas útil e necessária” e representa uma “nova etapa da reflexão teológica”. Agora, 10 anos depois, segundo os jornais, diz que esta teologia desapareceu com a morte do socialismo. O papa não pode estar contra o papa. Como o senhor entende essas opiniões contrárias?
- A afirmação acima não pode ser desvinculada do seu contexto. Ora, o contexto em foco é o seguinte: após convidar os bispos do Brasil a procurar respostas coerentes com os ensinamentos do Evangelho, da Tradição viva e do perene Magistério da Igreja, diz o papa: “Estamos convictos (…) de que a Teologia da Libertação é não só oportuna, mas útil e necessária. Ela deve constituir uma nova etapa - em estrita conexão com as anteriores - daquela reflexão teológica iniciada com a tradição apostólica e continuada com os grandes padres e doutores, com o Magistério ordinário e extraordinário e, na época mais recente, com o rico patrimônio da Doutrina Social da Igreja (DSI) expressa em documentos que vão da Rerum Novarum à Laborem Exercens”. Poucos meses após tal carta, o papa a mencionava em Bogotá e dizia: “Quis recordar que a Teologia da Libertação deve desenvolver-se em sintonia e sem rupturas com a Tradição teológica da Igreja e de acordo com a sua Doutrina Social”. A prova de que a controvertida TL não atende a essas exigências é a Instrução Libertatis Nuntius (6/8/84), que aponta os aspectos nevrálgicos da TL. Na verdade, há várias modalidades de TL, a começar pela de São Paulo, que é paradigmática e prega a libertação do gênero humano escravizado pelo pecado; esta é a TL autenticamente cristã, sendo a instauração da justa ordem social um corolário de tal doutrina. Por conseguinte, quando o papa afirma que a TL outrora controvertida está extinta, ele não se contradiz.
Dom Estêvão pergunta a Leonardo Boff
- Como justificar o recurso da Teologia da Libertação à análise marxista, que é materialista e atéia? A árvore má não pode dar frutos bons (Mt 7,18). O ateísmo não pode contribuir para elaborar uma síntese de fé.
- Os teólogos da libertação nunca assumiram o marxismo como uma cosmovisão unitária, explicativa do homem, do mundo, de corte declaradamente atéia. Seguiram o Papa Paulo VI na encíclica Octogesima Adveniens de 1971, que acolhe distinções no marxismo, como uma prática de luta de classes, como forma de governo de partido único, como maneira de organização da sociedade de molde socialista e, por fim, como um método de análise social e política. Muitos teólogos da libertação, nem todos, assumiram várias categorias da tradição marxista, seja de Marx (a importância do econômico na compreensão da sociedade, a mercadoria como fetiche, a categoria da alienação etc), seja de Gramsci (a importância do político, do bloco histórico, a função positiva da religião na formação da consciência libertária), seja no marxismo acadêmico francês (Althusser). Estas categorias nos permitiram ver com clareza a irracionalidade e a desumanidade do sistema do capital. Marx deixou-nos evidente que o pobre não é um pobre, mas um empobrecido e um oprimido, lição que os papas recentes e os bispos latino-americanos em Puebla (1979) tardiamente também aprenderam. Lição que não devemos esquecer nos dias de hoje, ofuscados pelo neoliberalismo que, para garantir seu nível de acumulação mundialmente integrado, custa ao grande Sul uma Hiroxima-Nagasaki a cada dois dias. A análise vale pela luz que ela produz, não pelo fato de ser atéia ou teísta. Prefiro mil vezes um médico ateu e bom que me cura do que um médico mui cristão e incompetente que me mata. O Espírito Santo falou por Marx, pois, como disse São Tomás de Aquino, repetindo uma longa tradição: “Qualquer verdade, seja quem for que a diga, provém do Espírito Santo através de quem a fala”. Pobre seria a síntese cristã que não aprendesse nada de Marx nem incorporasse as verdades que por ele o Espírito nos disse. Não assim pensou o Papa Xisto V, que mandou colocar um obelisco egípcio bem no centro da Praça de São Pedro com os seguintes dizeres: “Xisto V, Pontífice Máximo, mandou transportar com muita fadiga até a Sé dos Apóstolos este obelisco vaticano, que outrora fora dedicado ao ímpio culto dos deuses pagãos”.
Impasse entre Boff e Estêvão
Nas perguntas e respostas a seguir, Dom Estêvão Bettencourt e Leonardo Boff discutem uma questão aparentemente velha mas atualíssima: de que forma a Igreja pode contribuir diante do quadro de desigualdade social. Para Dom Estêvão, a Teologia da Libertação (TL), ao filtrar sua teoria à luz do marxismo, distanciou o povo da Igreja. “Só se ouviam discursos de ordem política, provocadores do ódio”, diz o teólogo, para quem não é necessário se filiar à TL para responder à problemática social. “Basta conhecer o Evangelho e proceder de acordo”, resume.
Já Leonardo Boff critica o paternalismo e o assistencialismo da Igreja. “Ela faz muito para os pobres mas muito pouco com os pobres e quase nada a partir dos pobres”. Segundo Boff, o importante é que o povo seja sujeito de sua prática social e, para tanto, a libertação espiritual tem que envolver também uma libertação econômica, cultural e política. E parafraseando Jesus Cristo, sintetiza: “O mais importante é a justiça, depois o pagamento dos dízimos da Lei”.
Leonardo Boff pergunta a D. Estêvão
- Haja ou não Teologia da Libertação, é inegável que os pobres estão aí e aumentam em nível mundial. Pobreza, bem disseram os bispos latino-americanos em Puebla, em 1979, não é uma etapa casual mas o resultado de determinadas estruturas econômicas, sociais e políticas. Isso foi dito por Marx um século antes. Portanto, pobreza é empobrecimento, opressão. É eticamente uma injustiça e teologicamente um pecado social. E se é pecado, tem a ver com Deus e contra Deus. O oposto à opressão é a libertação. Os cristãos, por seu ideário, devem ter uma prática de libertação. E quando criam a teoria desta prática nasce a Teologia da Libertação. O que o senhor pensa disso?
- Quer aceitemos ou não, há um fato inegável: a Teologia da Libertação aproximou muito os bispos, padres, religiosos e leigos do mundo dos pobres. Por causa da prática libertadora, a Igreja latino-americana é a única atualmente que tem mártires, desde arcebispos como Dom Romero até simples leigos que foram seqüestrados, torturados e mortos. Sempre se entendeu o martírio como o grande argumento da veracidade da opção dos cristãos. Parece que as autoridades do Vaticano têm dificuldade em reconhecer esse testemunho. Como interpreta tal hesitação?
- Data venia, contesto a afirmação. Abstração feita de casos particulares, verificamos que a TL provocou divisões no povo cristão. Os respectivos teólogos puseram-se a falar de “Igreja que nasce do povo”, ou “Igreja popular” em oposição à hierarquia. A oposição se verificou nitidamente nos encontros das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Em Canindé, por exemplo, em julho de 1983, os militantes diziam que opção pelos pobres significa povo unido e povo unido sifnifica opção de classes: povo unido indica também uma nova prática que revela o conflito social, que tem como função pedagógica desmascarar ou então revelar a opção de classe. Em Trindade (GO), em 1986, dizia um militante: “CEBs somos nós. Vamos acabar com a hierarquia eclesial”. Ao que outro respondeu: “Não é o caso de acabar com a hierarquia; os bispos e os padres… devem se converter ao povo”. As CEBs nem sempre quiseram romper os laços com a hierarquia, mas fizeram questão de que a hierarquia estivesse do lado delas. Leonardo Boff resumiu seu pensamento numa frase: “O importante não é saber se há povo sem bispos, mas se há bispos sem povo”. Quanto aos mártires, notemos que o conceito bíblico e clássico de martírio é “morte em testemunho da fé” (in odium fidei, por causa do ódio à fé da parte dos algozes). Ora, podemos dizer que os “mártires da América Latina” não morreram por professarem a fé cristã, odiada por seus carrascos; morreram sim por causa de opção sócio-política (compatível com o ateísmo) contrária a outra opção sócio-política (da ordem constitucional vigente).
- O senhor não acha que as idas e vindas do Vaticano com referência à Teologia da Libertação, que dá centralidade às causas dos pobres, e às reticências face à opção preferencial pelos pobres contra a sua pobreza, não acabam por escandalizar os pobres e finalmente confirmam a idéia ou o preconceito de que a Igreja é hierárquica, contra-revolucionária e conservadora, mais perto dos palácios dos Césares do que da barca do pobre Pedro?
- Durante os anos em que se debateu a TL, os pobres debandaram maciçamente da Igreja, apesar da propalada opção preferencial pelos pobres. Estes iam à Igreja sequiosos de ouvir uma palavra sobre Deus e os valores espirituais (dos quais os pobres nãoa são menos famintos que os demais homens), mas só ouviam discursos de ordem política, provocadores do ódio, da desconfiança, da luta… Muitos se escandalizaram com a politização geral do Cristianismo, com os abusos cometidos na Liturgia, com o teor passional dos cantos pastorais, com o conteúdo dos sermões (que jogavam uns contra os outros), com a perda de identidade de quem devia dar a nota religiosa às assembléias de culto… A Igreja não é favorável ao uso da violência para a reforma social, pois violência gera violência. O papa tem representado a Igreja com brio, visto ser o único líder mundial que nos cinco continentes encontra audiência atenta (ver Filipinas em janeiro de 1995, onde três milhões de jovens se reuniram); de maneira simples, sem estilo de pa- lácio dos Césares. Como verdadeiro sucessor de Pedro, mas em tom vigoroso, tem pregado a renovação da sociedade, preconizando, antes do mais, a conversão dos corações sem a qual a reforma das estruturas será sempre vã.
D. Estêvão pergunta a Leonardo Boff
- Como entender um Cristianismo arreligioso, em que “a oração, a missa e os sacramentos não são a parte mais importante… Um Cristianismo que não confere um sentido objetivo e sobrenatural à luta popular, mas é a luta popular que dá sentido à fé?” (Cf. Clodovis Boff, Do político, pp. 102-107).
- Dom Estêvão cita e resume mal a opinião de meu irmão, também teólogo, Clodovis. Permito-me citá-lo e depois entro nos méritos do debate: “Quando lutamos pelos homens, sobretudo pelos oprimidos, lutamos por Ele, Deus, quer saibamos, quer não. Então, não é a presença dos cristãos que confere a um movimento histórico seu caráter sobrenatural. Depende da retidão ética de seus agentes. A presença da salvação na libertação histórica é objetiva… Toda história humana se desenrola dentro da ordem da salvação, ou seja, sob o signo real da salvação oferecida desde sempre e que os homens aceitam ou rejeitam através de suas práticas… Não é a fé que confere um sentido sobrenatural ou divino à luta. É o inverso que ocorre: é esse sentido objetivo e intrínseco que confere à fé sua força” (Da libertação, Vozes 1980, 106-107). Vamos traduzir em palavras simples este dialeto teológico. Deus empapa a história. Está sempre presente e atuante em sua criação e nas práticas humanas. Por aí vai realizando seu desígnio em articulação com os desígnios humanos. Assim, se Fidel Castro ou Mao Tse-Tung por suas revoluções conseguem mais vida e meios de vida para suas populações, como saúde, educação, lazer, justiça e beleza, significa que bens do Reino de Deus, dimensões do desígnio divino se realizaram, quer eles queiram ou não, quer creiam ou não. O conteúdo divino ou “sobrenatural” (não gosto desta palavra porque é ambígua e uma criação da teologia recente, Tomás de Aquino nem conhece esta categoria) está garantido pela retidão de tais práticas políticas. Por isso um confrade do Mosteiro de São Bento, Dom Marcos Barbosa, podia poetar em boa teologia: “Varredor, que varres a rua, tu varres o Reino de Deus”. Mas essa libertação não é integral porque não incorpora a explicitação de sua última origem em Deus. Por isso os teólogos da libertação podem dizer com acerto: o mais importante não é a Teologia da Libertação, mas a libertação concreta dos oprimidos. Mas a integralidade comporta a libertação e a expressão de seu momento também divino ao lado do momento popular, econômico, político, cultural… Não disse outra coisa Jesus quando advertiu os fariseus: o mais importante é a justiça, a misericórdia e a fidelidade, depois o pagamento dos dízimos da Lei. É aquilo que importa fazer sem omitir isso (Mt 23,23).
- Como explicar que, precisamente quando se apregoou a opção preferencial pelos pobres, os pobres começaram a abandonar a Igreja? Um economista comparou o fato à lei da oferta e da procura: se a procura de Deus não encontrava resposta na pregação da Teologia da Libertação, a demanda se voltou para instâncias não católicas.
- A opção preferencial pelos pobres quer superar o clássico paternalismo e assistencialismo eclesiástico. Faz muito para os pobres mas muito pouco com os pobres e quase nada a partir dos pobres. Pela opção pelos pobres se pretende dar centralidade aos pobres. Eles não são apenas aqueles que não têm. Eles têm saber, experiência, sentido de luta e resistência. Muito a Igreja clerical tem a aprender dos pobres. A libertação somente é real se for feita pelos próprios pobres, a partir de sua perspectiva na medida em que se sentem sujeitos de sua prática, ganham consciência, se organizam e estabelecem práticas de transformação. A Igreja, os padres, os teólogos e outros agentes orgânicos entram como aliados dos pobres, contra sua pobreza e a favor de sua justiça. O importante é que o pobre seja e se sinta sujeito de sua prática social e eclesial. E aqui está a grande questão: na Igreja atual, hierárquica e clerical, os pobres não são sujeitos. Com os círculos bíblicos, com a reflexão comunitária e com a Teologia da Libertação descobrem que na Igreja hierárquica que detém o monopólio das decisões e das palavras que contam, eles não são reconhecidos em seus direitos e em suas responsabilidades. Os ministérios leigos não são ministérios leigos, são funções sacerdotais confiadas aos leigos porque há carência de padres. Toda iniciativa tem que ser aprovada de cima. No sindicato contam e valem. Na comunidade cristã não, porque são infantilizados e marginalizados. E ainda têm que engolir a falsificação clerical que é a vontade de Deus e de Jesus, que na Igreja devem existir clérigos e leigos, mas o mando só cabe aos clérigos. Dão-se conta que as mulheres não valem e que os direitos básicos não são respeitados. Saem da Igreja hierárquica porque são bons cristãos conscientes e denunciam o quão ruim é a organização piramidal deste tipo de Igreja. Na verdade não saem da Igreja. Ajudaram a criar outro modelo de Igreja, mais próximo de Jesus e da grande Tradição, a Igreja-comunidade de irmãos e irmãs. Aqui eles encontram a satisfação de suas demandas religiosas. E ainda têm fé de conviver em comunhão com a Igreja hierárquica, na esperança de que ela um dia se converta ao Evangelho e ao povo. O economista citado pode ser um bom economista mas é um analista fraco. As pessoas vão a instâncias não católicas porque a rigidez das igrejas históricas não lhes comunica um Deus vivo, mas demasiadas doutrinas e preceitos humanos.
- Como sustentar, aos olhos da razão, que o critério da verdade é a praxis ou a eficácia transformadora da sociedade? Não equivale isto a esvaziar a própria noção de verdade? A verdade tem características de perenidade e não é contingente.
- Os teólogos da libertação não elaboraram uma teoria específica da verdade. O que eles querem dizer é algo profundamente tradicional e pertencente à dogmática da Igreja: não basta ter verdades e proclamar “Senhor, Senhor” e com isso construir uma bela teologia. O que salva é o amor ou como diz um Concílio Ecumênico: veritas sicut opportet ad salutem consequendam, veritas caritate informata, verdade como é necessária para conseguir a salvação, vale dizer, a verdade imbuída de amor. Caso contrário o diabo (caso exista) estaria salvo. Ele conhece as verdades mais que os papas e todos os teólogos. Mas não tem amor. Por isso está onde está, no mundo do sem-amor que é o inferno. Esta visão supera todo o intelectualismo e obriga o Cristianismo a ser não uma ideologia ou cosmovisão, mas uma prática transformadora do anti-Reino em Reino, de pecado em graça. Então a verdade se veri-fica, quer dizer, fica verdadeira. Mas quero entrar num aspecto teórico acenado por D. Estêvão, ao dizer que a verdade não é contingente, mas perene. Suspeito que esteja preso a um tipo de compreensão da verdade que não colhe dimensões importantes dela. Suspeito que para ele verdade seja a reta conformidade da representação com a coisa. Este aspecto é importante, caso contrário estamos no mundo da mentira. Mas verdade é mais que este aspecto epistemológico. Há uma dimensão ontológica, bem vista pelos gregos com sua noção de desvelamento (a-létheia) e pela Bíblia com seu conceito de revelação. Segundo isso, a verdade é o processo de desvelamento e de revelação do ser, melhor, da presença do ser. Esta presença irradia e o ser humano vai captando historicamente o que consegue captar e o que esta presença entrega de si mesma. De mais a mais, a ontologia contemporânea é baseada na historicidade de todas as coisas (o tempo é intrínseco aos seres e não extrínseco) e na constatação da moderna cosmologia, segundo a qual nos confrontamos sempre com sistemas abertos, inseridos na seta do tempo (Prigogine) de sorte que tudo está em gênese (cosmogênese, antropogênese, cristogênese) e nada está acabado para sempre, mas continua cheio de virtualidades e nos sugere entender a verdade como um processo sempre de novo retomado de sintonia, conformidade e abertura ao que vai se revelando e emergindo. Só no termo do processo temos a verdade em sua plenitude. Teologicamente podemos dizer: a verdade de alguma coisa é sua conformidade com o desígnio de Deus sobre esta coisa. Ora, este desígnio não se revelou totalmente. Só no termo do processo de criação é verdade: “E Deus viu que tudo era bom”.
Fonte: JORNAL DO BRASIL - Domingo, 18 de Fevereiro de 1996 - Caderno B
Data Publicação: 14/09/2007

Fé e Ciência


A revista Época (09/05/2008 ; Edição nº 520) trouxe uma entrevista com o Dr. Alister Mc Grath, irlandês, professor de Teologia Histórica da Universidade de Oxford, na Inglaterra; entre outras coisas ele afirma que “a fé ajuda a explicar o que a ciência não consegue”. Ao contrário de seu colega ateu e propagador do ateísmo, Richard Dawkins, autor do livro “Deus, um delírio”, é um pesquisador cristão.
McGrath não abandona seus estudos científicos. Para ele, a ciência é capaz de explicar o mundo natural, mas não de entender valores e o significado da vida. Ambos são estudiosos das ciências naturais. McGrath tornou-se doutor em biofísica molecular, apresentou trabalhos relevantes e conquistou uma cadeira em Oxford. McGrath e Dawkins se conheciam. Encontravam-se em congressos de biologia e participavam de grupos de discussão sobre ateísmo. Ambos escreviam para a publicação americana Skeptical Magazine.
A diferença entre eles é que a mesma ciência levou Dawkins a pregar o ateísmo e McGrath a falar de Deus. Para combater Dawkins, McGrath publicou no ano passado o livro “O Delírio de Dawkins” (Editora Mundo Cristão), escrito em parceria com a mulher Joanna Collicutt, neuropsicóloga, especialista em teologia cristã. O livro de McGrath vendeu 60 mil exemplares na edição inglesa e foi traduzido para sete idiomas, e o nome de McGrath passou a circular entre os mais influentes da Europa.
A revista Época afirma que: “O mais irônico é que Dawkins, hoje rival, já foi ídolo de McGrath. Na época em que foi aprovado para cursar Biofísica Molecular em Oxford, em 1975, McGrath estava convencido de que a religião era a causa de conflitos e mortes pelo mundo e abraçou o ateísmo. Seu livro de cabeceira, “O Gene Egoísta”, publicado em 1976 por Dawkins, era a bíblia de quase todo universitário”.
Em seu livro, McGrath afirma que Dawkins confunde crença e prática religiosa. “Pode-se crer em algo sobrenatural sem que seja preciso haver prática religiosa”, diz McGrath. “Dawkins confunde tudo e ataca as duas coisas ao mesmo tempo.” O livro de Dawkins traz citações de internet, opiniões, hipóteses e frases de pessoas ilustres. “Ele faz isso para conseguir tecer suas idéias, já que falha na abordagem científica”, diz McGrath.
Dr. Alister considera que a existência de Deus pode ajudar o conhecimento científico. Entre outras coisas ele afirma que “há partes da vida que a ciência não pode explicar” e que “as duas [ciência e fé] podem trabalhar muito bem juntas”. Ele confirma que “há um grande preconceito dentro da universidade, especialmente contra cristãos”. Ele aceita o processo evolutiva do mundo sem excluir Deus.
Mc Grath conta que na juventude esteve “apaixonadamente persuadido pela veracidade e relevância do ateísmo. Quando fui para Oxford estudar química, comecei a refletir sobre se aquilo faria sentido. Mais tarde conheci Joanna (sua atual esposa) e percebi que a força dos argumentos que levam a Deus é mais satisfatória do que a que leva ao ateísmo”.
Sobre Richard Dawkins ele diz que não são amigos, mas apenas professores da mesma universidade. “Nós estamos presentes em alguns congressos e nos encontramos. Somos cordiais. Mas não posso dizer que somos amigos. Nós nos conhecemos mais pelas publicações que um e outro produziu. E nossas divergências também aparecem no que escrevemos”.
Mc Grath afirma que Dawkins se tornou um fanático e que “a sua agressividade é reflexo de sua frustração. Ele passou a ser mais agressivo porque sabe que a religião está cada vez mais presente na vida das pessoas. Ele convoca seus leitores para militar contra a religião e rompe com sua própria argumentação. Seu único argumento é de que a religião não descobriu nenhum indício sobre a existência de qualquer realidade que não seja a natural. É por frustração que ele afirma que toda a religião é perniciosa e deve ser banida da sociedade”.
Dr. Alister afirma que em seu livro não dá argumentos para acreditar em Deus, mas quer rebater as teses de Dawkins. “A forma como você acredita em Deus dá sentido ao mundo. Acreditar em Deus traz esperança e motivação para se manter vivo e se relacionar com as pessoas”, afirma.
Ao responder a pergunta do repórter se acredita na evolução, McGrath diz discordar de Dawkins em sua insistência de que a evolução biológica exclui Deus do processo. Ele diz que “não entendo como ele chegou a essa conclusão. Na minha opinião, as duas coisas são compatíveis”.
Sobre a questão se as pessoas religiosas têm a moral mais desenvolvida que os ateus, ele responde: “Não quero dizer que ateus são pessoas ruins. O que quero dizer é que acreditar em Deus dá habilidade e ferramentas para tratar melhor deste assunto”.
McGrath acha que é importante submeter a fé a um exame crítico. “Acredito que todo mundo deveria submeter suas crenças a um exame crítico. Sempre. A razão pela qual sou cristão é porque submeti minhas crenças [no ateísmo] e descobri que elas não ficavam em pé. Para mim, acreditar em Deus tem razões muito mais robustas”.
Quando lhe é perguntado quando a ciência não pode explicar Deus, ele responde: “Penso que a ciência é extremamente efetiva para explicar o mundo natural. Mas quando tenta explicar questões como valores ou significados, não acredito que ela consiga com êxito. Dawkins diz que a ciência pode explicar todas as coisas. Eu digo que acreditar em Deus ilumina partes da vida que a ciência não pode explicar. As duas podem trabalhar muito bem juntas”.
Sobre a pergunta se ele votaria em um candidato ateu, responde: “Eu não escolheria meu candidato considerando a religiosidade dele. Dawkins exagerou no preconceito. Eu não cultivo o preconceito que ele próprio tem. Há um grande preconceito dentro da universidade, especialmente contra cristãos”.
Dr. Alister Mc Grath é mais um cientista de renome internacional, que juntamente com outros como o Dr. Francis Collins, Diretor do Projeto Genoma Humano; Dr. Peter Grynn; Dr. Thomas Woods, e muitos outros, dá um testemunho atual de que a fé não é obstrução para a ciência, ao contrário, a ajuda. Obscurantismo hoje é afirmar que a fé é inimiga da ciência ou um obstáculo em seu caminho.
Fonte:www.cleofas.com.br